Os dois seguem a vida normalmente. Fazem suas coisas, se divertem, dão risada com os amigos, saem com outras pessoas e de vez em quando ficam com elas. Mas no final do dia, quando deitam na cama, sempre estão pensando um no outro. Ela se pergunta com quem ele está e se ainda lembra dela. Ele tenta adivinhar no que ela pensa e se nesses pensamentos ele está incluído. Não respondem a pergunta "o que aconteceu com vocês dois?" e apenas balançam a cabeça para a afirmação "vocês eram perfeitos juntos". Parece que esqueceram, mas uma parte deles, mesmo que sem querer, ainda acredita no velho "nós".
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
sábado, 24 de setembro de 2011

O outro, outra vez. A voz do outro, a respiração do outro, a saudade do outro, o silêncio do outro. Por mais três dias então, cada um em uma ponta da cidade, arquitetaram fugas inverossímeis. O trânsito, a chuva, o calor, o sono, o cansaço. O medo, não. O medo não diziam. Deixavam-se recados truncados pelas máquinas, ao reconhecer a voz um do outro atendiam súbitos em pleno bip ou deixavam o telefone tocar e tocar sem atender. Sim, afligia muito querer e não ter. Ou não querer e ter. Ou não querer e não ter. Ou querer e ter. Ou qualquer outra dessas combinações entre os quereres e os teres de cada um, afligia tanto.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegido, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se armavam de outro jeito, fazendo sentido. Nada de mau me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa. Os olhos da outra pessoa me olhavam e me reconheciam como outra pessoa, e suavemente faziam perguntas, investigavam terrenos: ah você não come açúcar, ah você é do signo de Libra. Traçando esboços, os dois. Tateando traços difusos, vagas promessas. Nunca mais sair do centro daquele espaço para as duras ruas anônimas. Nunca mais sair daquele colo quente que é ter uma face para outra pessoa que também tem uma face para você, no meio da tralha desimportante e sem rosto de cada dia atravancando o coração.

"Ela lembrava. Ninguém sabia, mas ela lembrava. De cada sorriso, de cada palavra, de cada olhar, de cada abraço. Não devia, mas ela lembrava de tudo que havia acontecido entre os dois, como quem quer que aconteça de novo."
Zé, que saudade da gente no sofá. Do calor do teu abraço. Que saudade de você.
Cada um no seu quadrado - Clarissa Corrêa

Acho muito chata essa pseudo-cobrança que as pessoas nos fazem diariamente. Se você ainda não tem namorado perguntam quando você vai arrumar um homem para chamar de seu, se você está perto dos trinta perguntam quando é o casamento, se você mora em um apartamento alugado perguntam quando você vai comprar a sua cobertura, se você pinta o cabelo de preto perguntam quando vai voltar a ser loira, se você engorda perguntam quando vai emagrecer, se você pinta sua parede de azul perguntam por que você não pintou de amarelo, se você acabou de casar perguntam quando vão ter um bebê, se você acabou de ter um filho perguntam quando virá o próximo.
Apesar de estarmos em 2011, tem gente que vive em outro mundo. E se você quiser fazer produção independente? E se você for lésbica? E se você gosta de dormir sozinha e bem esparramada na sua cama? E se você não quer casar? E se você acha bacana morar junto só no final de semana? E se você prefere ter animais de estimação ao invés de filhos? E se você quer pintar cada parede de uma cor? E se você quer viver de aluguel a vida inteira? E se você não tem grana para comprar um apartamento? E se você prefere gastar seu dinheiro em viagens? E se você quer raspar a cabeça, ficar careca e usar cada dia uma peruca bem louca?
Parece um crime a gente querer o diferente. Parece errado a gente querer fazer o que os parentes e amigos mais próximos não fazem. Acho um absurdo a gente ter que dar satisfação de sonhos e projetos que na realidade são só nossos. Existem coisas que são só suas. Existem escolhas que só pertencem a você. E fim de papo. E fim de jogo. E fim de tudo.
Ninguém tem o direito de te julgar, de colocar o dedo na sua cara e dizer que o jeito que você vive não é legal. Sempre achei que a vida da gente é uma tela branca. Nela, a gente coloca as cores e formas que quiser. E quem não gostar, azar. E quem não gostar, não gostou.
Procuro manter perto as pessoas que eu gosto e que realmente querem o melhor para mim. E o melhor para mim nem sempre é o que o outro considera o melhor. O jeito que eu levo a minha vida, a forma como eu encaro os meus dias dizem respeito apenas a mim. E mais ninguém. Quem quiser, que embarque nessa comigo. Quem não quiser, que me respeite. E viva a própria vida da forma que bem entender.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Minha melodia.
"- Que música é essa?
- A do rádio? Não sei, nunca ouvi…
- Não! Essa, a das batidas do teu coração.
- Ah… Essa é você."
- A do rádio? Não sei, nunca ouvi…
- Não! Essa, a das batidas do teu coração.
- Ah… Essa é você."
Nostalgia é a palavra do dia.

Pois é, meu garoto. Você se foi. Mas levou contigo uma grande parte de mim, que infelizmente é a que eu precisava pra me manter. E agora estou incompleta, desperdiçada, acabada, vazia. Porque você não poderia deixar tudo mais fácil? Alguns quilômetros não fazem diferença. Você continua em mim, como uma tatuagem. Dentro de um baú. Um baú um tanto quanto chato e nostálgico. E todos as músicas, e todas as mensagens, todas as conversas, todas as fotos, todos os momentos, todos os beijos, carinhos, noites, dias e risos. Você não deveria segurar minha mão e soltar dessa maneira, não podia. Você me jurou nunca me deixar. Choramos juntos por esse medo. Você não queria me perder, e nem eu podia ter te perdido. Mas você guarda tantos pensamentos nessa sua mente difícil, complicada e insensata. Me deixou claro que iria me magoar um dia. Porque você não fez por merecer, garoto? porque você não deu o valor que sua menina merecia? mas eu não me importava. Só de te ter era o bastante pra mim. Vem cá, ingrato. Me olha nos olhos. Eles transbordam sentimento. Transbordam saudade. Me olha neles, firme e profundamente. Me diz que você sente falta dos meus beijos repetitivos e carinhosos. Me diz que toda noite lembra de nós deitados em cima do outro, me diz que ainda quer que eu vista sua camisa como pijama. E falando nisso, ainda guardo elas aqui, tá? ainda guardo teu cheiro, garoto. Ainda sinto ele pelos cantos a fora. Porque você tem essa personalidade infame? Porque você é tão frio, falso e com pensamentos psicopatas e desiguais? Tão diferente, mas tão igual. Tão igual porque tem todo meus pontos fracos dentro de ti e pode subestima-los o quanto e quando quiser. Conhece toda parte, todo milímetro da minha pele. Me diz porque ainda vejo suas fotos e sinto você ao meu lado, relembrando todos os momentos. Você lembra de nós na piscina jogando água no outro? lembra de um correndo atrás do outro, lembra quando eu te batia, e te mordia e você ficava bravo? pois saiba que eu amava você bravo. Me diz porque ainda sinto você por completo e sinto aqueles mesmo ciúmes de antigamente quando você me provocava tanto que dava vontade de explodir. Me diz, garoto. Mas me diz também porque eu não consigo mais voltar ao que era antes, você destruiu meu lado sensível e que se entregava. Agora tranquei meu coração a sete chaves. E infelizmente, você tem 8. Pois é garoto, você passou de ser meu pra ser de todas. E o único fato é aceitar isso.
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